quinta-feira, maio 03, 2007
Notícias do 3º encontro
Rio de Janeiro (RJ) - A liturgia da espiritualidade popular evangélica brasileira foi o tema apresentado pelo antropólogo Valdemar Figueiredo Filho na reunião da Fraternidade Teológica Latino-americana, núcleo Rio de Janeiro (FTL-RJ), realizada em 29 de março deste ano na sede da Paróquia Martin Luther, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, no centro da cidade.
O encontro reuniu os membros da entidade, pastores e pastoras das igrejas evangélicas cariocas, teólogos, antropólogos e outros estudiosos do fenômeno religioso. Figueiredo Filho apresentou relatos de situações, discursos e análises sobre essa expressão de fé que tem alcançado expressivo desenvolvimento, especialmente nas periferias, favelas e morros da cidade do Rio de Janeiro.
O antropólogo descreveu o fenômeno a partir de relatos sobre quatro situações, que ele entendeu basilares: a Igreja sobre os trilhos, os cristãos evangélicos que transitam em diversos ambientes, o ciclo dos montes santos no Rio, e o orfanato da Irmã Solange. A primeira refere-se ao vagão de evangélicos nos trens de determinados horários da Central do Brasil, com seus códigos de entrada e participação, os conflitos e as formas de contornar situações, atribuídos à ação do Espírito Santo.
Os cristãos evangélicos de traço pentecostal que são capazes de participar em cultos de outras igrejas pentecostais, mantendo sua identidade e até afirmando suas peculiaridades, diante do conjunto dessa expressão de fé, compõem a segunda situação. A terceira, é o conjunto de peregrinações em morros, favelas, regiões descampadas, com objetivos de oração e comunhão na fé. Segundo o antropólogo, esse ciclo de visitas e participação celebrativas têm crescido vertiginosamente e conta com um público, composto especialmente por mulheres evangélicas negras, empenhados no enfrentamento de situações pessoais de diversas naturezas, inclusive as mais dramáticas.
O último é o orfanato da irmã Solange, uma entidade que surgiu em torno do trabalho de uma mulher que passou a atuar com crianças de rua, seguindo um chamado e conseguindo o apoio do conjunto da comunidade. Apesar de todas as dificuldades e rejeitando diversas possibilidades de "institucionalização" oferecidas, ela segue fazendo seu trabalho que, além do resultado objetivo, desenvolveu uma mística com a qual conquistou a confiança de pessoas de diversos segmentos da sociedade.
Após a palestra, o antropólogo apresentou seu livro "Liturgia da Espiritualidade Evangélica Brasileira"; um olhar antropológico. Rio de Janeiro: Publit, 2006, 137p.), respondeu perguntas e concedeu autógrafos. Em seguida, a reunião da FTL-RJ tratou de assuntos de natureza administrativa.
Antônio Carlos Ribeiro
terça-feira, abril 10, 2007
Memorial de Bonhoeffer
Ao passar em frente ao muro do campo de Concentração de Dachau em 2001, perguntei ao Pastor Stefan Pickart: por que os alemães mantêm essa construção, com todo o horror que ela evoca? Ele me respondeu: para não deixar a memória se apagar! Em tempos difíceis, cristãos guardaram a memória dos que foram fiéis a Cristo, não apoiaram as atrocidades dos nazistas e não associaram o nome de Cristo ao genocídio.
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Agarrar valentemente o real
O dia 9 de abril de 2005 fez lembrar os 60 anos do martírio de Dietrich Bonhoeffer. Impotente diante da inteligência, persistência e espiritualidade do jovem teólogo, o regime nazista alemão teve que silenciar o pastor luterano que discordou da igreja do Reich. Ele foi executado em 1945 pela Gestapo no campo de concentração em Flossenbürg. O gosto amargo da irreparável perda foi superado este ano pela celebração de um século de seu nascimento, no dia 4 de fevereiro, em Breslau, Prússia, hoje Wroclaw, Polônia.
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Graça barata é desgraça
O dia 4 de fevereiro deste ano teve o doce sabor da lembrança de uma vida com significado. Assim como o dia 9 de abril tem o gosto amargo de uma perda. Na primeira lembramos o nascimento de um homem de fé, teólogo inteligente e militante ousado. Na segunda, lamentamos a existência de um regime desumano, no ápice da sua decadência e poderosamente abalado pela força de um testemunho. Com a primeira, damos graças a Deus pela vida deste profeta moderno que, como João Batista, foi uma voz no deserto. Com a segunda, maldizemos a violência, especialmente a bestial, articulada com o poder estatal e disposta a silenciar o teólogo luterano alemão que discordou da igreja do Reich.
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segunda-feira, março 26, 2007
Encontro da FTL-RJ
Liturgia da espiritualidade popular evangélica:
um olhar antropológico
Convite para o Terceiro Encontro da FTL Rio de Janeiro
Convidamos você a estar conosco no terceiro encontro do Núcleo Rio de Janeiro da Fraternidade Teológica Latino-Americana do Brasil, quando dentre outros assuntos de aprofundamento da caminhada do grupo, estaremos ouvindo (e conversando) a partir do tema Liturgia da espiritualidade popular evangélica: um olhar antropológico.
Este título diz respeito a um livro, recentemente lançado, resultado de pesquisa de campo feita pelo autor no “vagão dos crentes” do trem que serve ao subúrbio do Rio de Janeiro.
Palestrante: Pr. Valdemar Figueredo Filho (doutorando
Data e horário: 29 de março de 2007, às 14:00 h
Local: Paróquia Luterana Martin Luther - Rua Carlos Sampaio, 251 – Centro –
Praça da Cruz Vermelha (Fica em frente ao Inca).
sábado, março 17, 2007
A missiologia dos mil gols ...
ou, quem blogou um bom gol?
Alexis Carvalho
Com o Romário, todavia, tudo é diferente. O Juca Kfouri mostrou que a contagem dele é cheia de malandragens. Contou gol daqui, contou gol dali... o negócio é chegar a mil, não importa como. Ato contínuo, contabilizou gols marcados na ridícula pelada América-RJ contra os Amigos de Luizinho (marcou 4); considerou gol feito em jogo anulado (contra o Brasiliense, em 1995); e, pior de tudo, anotou 77 gols que fez quando ainda nem era profissional.
Se o atacante cruz-maltino tivesse usado o mesmo critério de Pelé (que só contou os gols que fez depois de se profissionalizar), provavelmente não chegaria lá. Mas, Romário é Romário e o seu milésimo gol pode, então, servir como metáfora de um mundo de embustes. Um mundo onde a realidade objetiva sucumbe diante dos aplausos e vaias da sociedade do espetáculo. Um mundo aqui bancado pelo delírio da arquibancada.
Enfim, Romário é o cara, tá ligado? Marrento, conquanto esperto. Pois é, mas antes de você achar que meu assunto é futebol — o que num blog como esse seria uma má temática — gostaria de mostrar que essa parada de usar a matemática em proveito próprio não começou em São Januário. Na verdade, já tinha sido apropriada muito tempo atrás por um certo tipo de missiologia, de origem e inspiração oportunista.
sexta-feira, março 16, 2007
A Ética de Dietrich Bonhoeffer
Flávio Conrado
Bonhoeffer: teólogo, pastor e ativista
Com a ascensão do sistema nazista e sua política de extermínio de judeus e outras minorias na Europa nas câmaras de gás e campos de concentração, Bonhoeffer colaborou com a resistência alemã, tendo o apoio de aliados internacionais, nos seus planos de um atentado contra Hitler a fim de evitar, assim, o Holocausto e a morte de milhões de inocentes na Segunda Guerra Mundial que devastou a Europa entre 1939 e 1945. Ele foi preso e morto pelo Nazismo no campo de prisioneiros de Flossenbürg (Alemanha) no dia 09 de abril de 1945, porque ousou resistir a um sistema totalitário que entronizava o Führer e a “raça” ariana no coração do povo alemão e avançava sobre a Europa em aberta afronta à lealdade e submissão a Deus.
A vida e o martírio de Dietrich Bonhoeffer se tornou um símbolo da postura de santa intransigência diante das forças do mal que assaltaram o exercício do poder na Alemanha hitlerista e em outras partes do mundo. Como as reflexões teológicas e a vida deste cristão do século XX podem nos ensinar a enfrentar nossos próprios problemas e desafios éticos? O que moveu Bonhoeffer a resistir e entregar sua vida ao martírio?
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