segunda-feira, maio 05, 2008

Teologia quer dialogar com a Cultura

Antonio Carlos Ribeiro*

Criar canais de diálogo com a cultura contemporânea a partir do
trinômio Fé-Ciência-Transdisciplinaridade. Este é o tema do I Simpósio
Internacional de Teologia (PUC-Rio) - desafios e horizontes para a
Teologia no diálogo com a cultura contemporânea, realizado na
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, de 1 a 3 de abril.
A escolha do tema se deve à crise de sentido que afeta as dimensões da
vida humana e surgiu do ambiente no qual o aparato de natureza
filosófica, científica e técnica tem dificuldade em encontrar resposta
na ordem jurídica e institucional, no alcance de consensos mínimos.

Entre os conferencistas os teólogos Andrés Torres Queiruga, da
Universidade de Santiago de Compostela, Espanha; Manfredo de Oliveira,
da Universidade Federal do Ceará; Luiz Carlos Susin, da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul; e a teóloga Elisabeth
Schüssler Fiorenza, da Universidade de Harvard, EUA. Houve a
participação de teólogos e teólogas católicos e protestantes
brasileiros, de diferentes escolas teológicas e de diversas regiões do
país, debatendo temas que relacionam teologia e física, ciências
humanas, ciências da religião, cultura, resiliência e pastoral, e
bíblia e ecologia.

Queiruga articulou o binômio Fé e Ciência, lembrando momentos
históricos de diálogo e até de tensões, e propondo nova aproximação
para o mundo contemporâneo. O diálogo da teologia com a ciência é
fundamental num mundo que preza pela autonomia, reconhecendo-a como
vontade de Deus, sem deixar de resguardar a área específica de
intervenção da ciência. E introduziu alguns questionamentos em relação
à oração de petição. Após a conferência, ele respondeu às perguntas
dos mais de 300 ouvintes, que lotavam o auditório do Centro de
Pastoral Anchieta. Essa participação superou as expectativas dos
organizadores.

Elisabeth Schüssler Fiorenza proferiu a primeira palestra do dia com o
tema As Escrituras e o Império, e movimentou a platéia, abordando as
questões sobre feminismo e gênero. Nas palavras da autora: "feminismo
é a noção radical de que as mulheres são pessoas". Ela também elencou
elementos da linguagem do Império Romano e as diferenças religiosas
contidas nas Escrituras cristãs, fazendo uma relação com a
globalização e as relações de poder.

A autora ainda criticou a forma com que a religião se apropria da
Bíblia, afirmando que a Sagrada Escritura é utilizada para legitimar a
exclusão de homossexuais e de feministas, garantir o divino, dominar e
ameaçar. Ela assegurou que a civilização humana tem interesse numa
leitura plural e tolerante, e apontou alguns caminhos possíveis,
sugerindo explorar o conceito de sabedoria na Bíblia e a necessidade
de se comprometer com uma teo-ética no mundo atual. No cosmopolitismo
da sabedoria, a Bíblia deve ser a luta do conteúdo sobre a
interpretação. A atuação ministerial feminina é vista como convite a
todos à sabedoria, rompimento com a lógica imperial, a dominação e a
visão segura.

Manfredo de Oliveira discorreu sobre Teologia e Ciências, destacando
que o novo quadro é composto da ciência moderna e das tecnologias que
daí provêm. Estas devem ser parceiras de diálogo para a Teologia que,
segundo Rahner, tem diante de si o mundo e os seres humanos, sem
perder de vista que as "Ciências têm o direito de falar de coisas
particulares, mas são incompetentes para falar do universal. Já a
filosofia e a teologia labutam com o universal". E lembrou que, para
John McDowell, "não há fronteira exterior para além da fronteira
conceptual".

Frente a esse quadro, "acreditar não é embotar as perguntas, por isso
a fonte d dinamismo da teologia se situa na gênese do raciocínio
humano, segundo Clodovis Boff. Também não se deve esquecer que a
teologia é saber do Absoluto, não saber absoluto", citou Agenor
Brighente. A teologia deve se dar conta de que não tem o monopólio das
falas sobre Deus porque a verdade é aberta aos discursos humanos. Isso
deve fazê-la perder a pretensão de ser mais que humana, sem perder de
vista que busca a presença do absoluto no mundo e do mundo no absoluto
e que o Reino de Deus é sentido de todos os sentidos, e é garantido a
todos, até aos derrotados da história.

Luiz Carlos Susin lembrou que a importância da teologia vem da
reflexão de que a fé cria comunidade e a comunidade cria a fé. A
teologia é vista como educadora da razão, para que a fé seja razoável
e a razão tenha limites. A palavra theoria, etmologicamente, é uma
visão do conjunto, como a de Deus. Por outro lado, só a Igreja é
insuficiente como lugar para a Teologia. O diálogo ajuda a evitar a
diluição do humano, lembrando Lévinas: "o subjetivismo é um abismo que
jamais devolve os cadáveres que engole". Se as ciências integram as
culturas mais vastas nas sociedades mais vastas, são as sociedades que
se tornam os espaços teológicos.

No projeto de Bento XVI, o diálogo da teologia com a sociedade
pluralista tem dificuldades no campo da cultura, não volta às fontes
cristãs, enquanto o ateísmo recrudesce. Para a sociedade muçulmana,
dialogar com os cristãos é conversar com o espaço secular moderno e
iluminista (Regensburg), e o valor moderno da liberdade religiosa dos
indivíduos (batismo do mulçumano), incompreensível para quem a fé é
inseparável da cultura e da sociedade.

* Teólogo e jornalista
http://lattes.cnpq.br/5999603915184645

terça-feira, novembro 13, 2007

sexta-feira, agosto 24, 2007

180 anos de presença evangélica no Rio de Janeiro

Protestantismo de imigração: Chegada e reorientação teológica

Este é o assunto da palestra que será apresentada no próximo encontro do Núcleo Rio de Janeiro da Fraternidade Teológica Latino-Americana (Brasil). Clique aqui para ver o texto que será apresentado.

A palestra será feita por Antonio Carlos Ribeiro, pastor luterano (IECLB), doutorando em Teologia pela PUC-Rio. Na ocasião teremos exemplares do livro Amor e Discernimento (Ed. Paulinas), sobre a ação do Espírito na vida das igrejas. Clique aqui para ver a resenha deste livro.

No último encontro foi decidido que as próximas reuniões do Núcleo devem acontecer em casas de formação teológica do Grande Rio, visando maior aproximação com os estudantes de Teologia. A convite da Faterj, teremos lá nosso próximo encontro, conforme dados abaixo.

Data e horário: 29 de agosto, quarta-feira, às 18:30 horas. Local: Faculdade de Teologia do Rio de Janeiro (Faterj/Ibec) Endereço: Av. Meriti, 2470 - Vila da Penha - (Largo do Bicão) - Rio de Janeiro. (A Faterj funciona nas dependências da Primeira Igreja Batista de Vila da Penha).

Aproveitamos para agradecer ao Pr. Manoel Bernardino e ao Seminário Teológico Congregacional, que generosamente nos acolheram no encontro anterior, quando falou o colega Alessandro Rocha, a quem também agradecemos pela palestra sobre Teologia Sistemática, a partir de seu livro, que tem o mesmo título.

Aguardamos você e seus convidados neste nosso sexto encontro. Não esqueça: É dia 29 de agosto, quarta-feira, 18:30 horas na Faterj.

Saudações evangelicais,

Clemir Fernandes
Núcleo Rio da FTL-B

domingo, agosto 19, 2007

Email enviado por Clemir Fernandes a lista de discussão da FTL-RJ.

Voltando no final da noite (16/08/07) de mais um dia de aulas, ainda no trânsito, recebi ligação de minha esposa, dando a triste informação já
veiculada aqui na Lista do falecimento do querido mestre Darci.

Numa hora destas a tristeza toma conta da gente, as lembranças são retomadas e memórias são recuperadas...

Cheguei em casa e fiquei até agora comentado com amigos, ao telefone, acerca da trajetória do mestre que influenciou gerações, alunos seus e muitos outros.

O nome do pr. Darci se associa a muita coisa digna de ser citada, dentre as quais destaco, de cabeça:
1) A metodologia da pesquisa (seu livro A arte da Investigação Criadora (Juerp) é um sucesso científico e editorial);
2) A atuação pastoral com ênfase no evangelho integral (como o ministério na Igreja Batista Bom Retiro, no Rio) é apenas um exemplo);
3) Seu compromisso com a justiça e a capacidade administrativa (como ilustra sua gestão como diretor executivo da Visão Mundial do Brasil);
4) A atuação no magistério teológico e secular, na graduação e na pós, sempre competente, respeitado e querido pelos alunos (tanto no STBSB, na Uerj, na Unigranrio etc).
5) Sua vasta produção intelectual, que soma vários livros e artigos, em diversos assuntos, da teologia à pastoral, por exemplo.
6) O envolvimento e participação ativa, inclusive em nível de direção, em diversos movimentos e organizações cristãs, como a Associação Evangélica Brasileira e a Fraternidade Teológica Latino-Americana, para ficar em dois exemplos...
7) Seu trabalho como editor, (por exemplo, na Juerp), como bibliotecário (responsável pela Biblioteca David Malta, do STBSB, nos anos 80) etc.
8) Etc etc etc.

Pensei hoje em outras pessoas queridas que faleceram nos últimos tempos e como foram apresentadas pelo OJB, como Marcílio de Oliveira Filho e Waldemiro Tymchak. O primeiro foi denominado " Sr. Louvor" e o segundo, "Sr. Missões". Pensei que a expressão "Sr. Ação Social", embora seja reducionista em função da amplitude da trajetória do pr. Darci, é algo que se aplica com justiça.

Bem, poderia falar muito, como outros listeiros também, inclusive, destacar memórias de minha grata relação pessoal com o pr. Darci, mas me atenho àquela que terminou sendo a última vez que nos encontramos. Foi no último dia 4 de agosto, quando ele e Nancy estiveram no culto de meu aniversário de 40 anos...

O último e-mail que ele me enviou eu estava ainda para responder... Agora somente no céu.

Deus seja louvado pela contribuição marcante ao Reino de Deus de Darci Dusilek, querido mestre, e pela vida de sua família, por quem oramos e nos solidarizamos,

Clemir Fernandes

Perda de Dusilek deixa lacuna na teologia batista

Antonio Carlos Ribeiro


Rio de Janeiro (RJ) - Faleceu o pastor batista e professor Darci Dusilek, coordenador do setor de Teologia da Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO), no dia 16 de agosto, vítima de uma parada cardíaca. A perda de Dusilek (1943-2007) deixa uma significativa lacuna no pensamento batista brasileiro, especialmente na área de Teologia Sistemática.


Dusilek era bacharel em teologia e filosofia, especializado em documentação científica e mestre em ciência da informação. Era professor da Unigranrio, da Faculdade de Teologia Batista do Rio de Janeiro, antigo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, e do Seminário de Duque de Caxias. Atuou como pastor, professor e executivo da Visão Mundial do Brasil, quando coordenou projetos com diferentes igrejas evangélicas no Brasil.


Exerceu a função de presidente da Convenção Batista Brasileira, e recentemente, a coordenação de atividades universitárias. Era detentor do Título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro e autor de diversos livros e artigos.


Entre suas obras destacam-se A arte da investigação criadora (Juerp), Igreja em peregrinação, Marcas da Igreja, Oásis no deserto, Amargura ou amar cura?, A igreja; Modelos de Igreja em O Novo Testamento e O Futuro da Igreja no Terceiro Milênio (Horizonal), Predestinação e eleição e Teologia ao Alcance de Todos (inclusive você) (Unigrario), e O que Deus sabe do meu futuro (GW).


Dusilek era casado, tinha um filho e uma filha. O culto de ação de graças por sua vida e trabalho, na tarde do dia 17, reuniu centenas de pessoas na Capela do Seminário do Sul.

quarta-feira, junho 20, 2007

Novo encontro da FTL-RJ

TEOLOGIA SISTEMÁTICA

no horizonte pós-moderno

Um novo lugar para a linguagem teológica

Este é o título do livro e também da palestra que serão apresentados no próximo encontro do Núcleo Rio de Janeiro da Fraternidade Teológica Latino-Americana (Brasil).

A palestra será feita pelo próprio autor, Alessandro Rocha, que é coordenador de Teologia da Faculdade Teológica do Rio de Janeiro e doutorando em Teologia pela PUC-Rio.

Data e horário: 4 de julho, quarta-feira, às 14 horas.

Local: Seminário Teológico Congregacional do Rio de Janeiro

Endereço: Rua Visconde de Inhaúma, 134/1314 - Centro - Rio de Janeiro (quase esquina com a Av. Rio Branco). Na porta está escrito: Biblioteca - STCRJ. A secretaria do Seminário é sala 1309. Tel. 2283-3131 - secretária: Janaíra.

Aguardamos você e seus convidados neste nosso quinto encontro.

Saudações evangelicais,

Clemir Fernandes

Grupo Gestor do Núcleo Rio da FTL-B

segunda-feira, junho 04, 2007

Faleceu o sociólogo Waldo César

Antonio Carlos Ribeiro

Rio de Janeiro (RJ) - Faleceu neste domingo, dia 3, aos 84 anos, o sociólogo, romancista e líder ecumênico Waldo César. Intelectual de formação religiosa protestante, foi bolsista do Instituto do Conselho Mundial de Igrejas, coordenou a seção de religião das enciclopédias Delta Larousse e Mirador Internacional, coordenou a Campanha Mundial contra a fome da FAO (ONU), participou da criação da Editora Paz e Terra, atuou na coordenação da Conferência Evangélica do Brasil, destacando-se na organização da Conferência do Nordeste, na década de 60, fez parte do Núcleo de Pesquisas do Instituto de Estudos da Religião (ISER), assessorou diversas ONGs e instituições eclesiais e foi colunista do Jornal do Brasil.

A cerimônia fúnebre foi presidida pelo Pastor Mozart Noronha, com a participação dos Pastores Edson de Almeida Fernandes, Luís Longuini Neto, Carlos Alberto, Zwinglio da Mota Dias e José Roberto Cavalcante, da Pastora Margarete Emma Engelbrecht e da Diácona Vilma Petsch.

A pregação foi feita por Rubem Alves, que falou de esperança e saudade e leu uma oração do pastor batista norte-americano Walter Rauschenbush. Em seguida, foram lidas cartas de pêsames do Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e Moderador do Conselho Mundial de Igrejas, Pastor Walter Altmann, do Pastor Sinodal do Sínodo Sudeste (IECLB), Pastor Guilherme Lieven, do Secretário Executivo da Fundação Luterana de Diaconia, Pastor Sílvio Schneider, e do ex-reitor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Prof. Luiz Eduardo W. Wanderley.

O antropólogo Otávio Velho e os sociólogos Jether Pereira Ramalho e Luiz Alberto Gómez de Sousa, amigos de longa data, fizeram um memorial da amizade e da influência intelectual de César nos diversos movimentos estudantis, de caráter ecumênico e no enfrentamento do regime ditatorial. Destacaram-se as presenças dos Reverendos Elben César (IPB) e Carlos Cunha (IPU), do sociólogo Ivo Lesbaupin, do antropólogo Flávio Conrado e de outros intelectuais ligados ao Instituto de Estudos da Religião (ISER). O culto de despedida foi realizado no dia 4, às 11 horas, na Paróquia Bom Samaritano, e o supultamento, no Cemitério São João Batista, às 14 horas.